A GRANDE CHANCE 
2020
fotografia, dimensões variadas



Moro na avenida 9 de julho há mais ou menos um ano. Bem ao lado da minha casa, existe um pequeno bar. Você provavelmente não vai reparar neste bar, caso esteja passando apressado a caminho do metrô Anhangabaú. Sem toldo ou balcão aparente, é possível observar uma única mesa de sinuca aos fundos e um pequeno balcão na lateral.

Os frequentadores são poucos, mas de vez em quando vejo uma mesma mulher, sentada em uma cadeirinha de plástico na calçada, copo de cerveja nas mãos, observando a avenida 9 de julho. Que gesto otimista, eu penso. Sentar-se para observar a avenida.

Esse bar provavelmente passaria despercebido por mim também se não fosse por seu dono. Com roupas de estampa camuflada, botas de solado grosso amarelas, turbante no topo da cabeça e uma longa barba, está o sósia de Osama Bin Laden.

Sentado em uma cadeira amarela na calçada, ele também observa a avenida, diariamente. Nunca conversamos, mas de vez em quando eu o cumprimento e ele retribui. Convivendo com a sua presença em meus atravessamentos pela cidade, gosto de imagina-lo como uma personagem fictícia.

Um ator, que se dispõe a interpretar o mesmo papel ininterruptamente.  Toda cidade guarda grandes e pequenas ficções dentro de portas, apartamentos, bares, calçadas e festas de aniversário com decoração de isopor. Como fotógrafa, as ficções me interessam. Esta  pesquisa diz respeito a uma delas: os sósias.

Sósias são pessoas que se parecem com alguém, na maioria das vezes com uma celebridade.
A semelhança pode ser física ou também comportamental. Sósias são atores, performers, covers, atrações e figuras que provocam ilusão e espanto. 

Em uma sociedade que produz, industrializa e cultua figuras 'célebres' transformando sujeitos em produto de entretenimento e acesso impossível, o sósia é um atalho rápido. Tendo o universo dos sósias e covers como ponto de partida, este trabalho investiga a cultura de celebridades, entretenimento e televisão no Brasil





THE BIG BREAK 
2020 
photography, variable dimensions

I've been living on 9 de Julho avenue for about a year. Right next to my house, there is a small bar. You probably won't notice it if you are passing by on your way to the subway. Without an awning or apparent counter, it is possible to observe a single pool table at the back and a small plastic table on the side.

There are very few visitors, but every once in a while I see the same woman, sitting in a plastic chair on the sidewalk, a glass of beer in her hands, watching the aevenue. What an optimistic gesture, I think. Sit down to watch the avenue.

This bar would probably go unnoticed by me too if it weren't for its owner. With camouflage print clothes, thick yellow soled boots, a turban on top of his head and a long beard, is Osama Bin Laden's impersonator.

Sitting in a yellow chair on the sidewalk, he also watches the avenue, daily. We never spoke to each other, but occasionally I greet him and he reciprocates. Living with his presence in my crossings through the city, I like to imagine him as a fictional character, an actor who is willing to play the same role continuously.
Every city keeps big and small fictions inside doors, apartments, bars, sidewalks and birthday parties with Styrofoam decoration. fictions really interest me. This research concerns one of them: the look-alikes.

Look-alikes are people who look like someone, most of the time a celebrity. The similarity can be physical or also behavioral. Look-alikes are actors, performers, covers, attractions and figures that provoke illusion and amazement.
In a society that produces, industrializes and worships 'famous' figures, transforming subjects into entertainment products of impossible access, the look-alikes are a quick shortcut.

Taking the look-alike and covers universe as a starting point, this work investigates the culture of celebrities, entertainment and television in Brazil.